Esse é o cantinho da Comunidade que participa da Jornada Inaciana de Acolhida do Colégio Loyola de Belo Horizonte.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Caro(a) amigo(a)
No próximo sábado, dia 17 de setembro, às 8h30, acontece o segundo encontro da serie “Paulo, mestre dos cristãos” – leitura comentada de fragmentos das cartas paulinas com o Pe. Ulpiano Vázquez Moro sj. O tema do encontro será “Sem medo da liberdade - Carta aos Gálatas”.
Informações: 3342 - 2847.
Um fraterno abraço.
Equipe do Centro Loyola de BH
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
TRABALHAR NA VINHA DO SENHOR
“Trabalho, trabalho, trabalho. Mas não se esqueça, vírgulas significam pausas...” (publicidade)
O trabalho é um dos espaços que mais precisa ser humanizado e evangelizado.
Todos conhecemos pessoas que perderam a saúde e a alegria de viver pelo fardo do trabalho; facilmente nos deixamos arrastar para um tipo de vida desintegrada e sem direção, onde os ritmos estressantes e sufocantes do trabalho se convertem numa tortura, e não uma experiência positiva de crescimento pessoal ou de encontro com os outros; ao esvaziarmos o trabalho de sentido (para quê? para quem?) perdemos a paixão por aquilo que fazemos, nos burocratizamos e caímos no ativismo inútil.
Sentimo-nos invadidos por ruídos, pressas, atropelos, ansie-dades, resultados imediatos, atividades superficiais... sem uma unidade interna e sem uma direção.
Tal fenômeno potencializa-se pela sobrecarga de compro-missos repetitivos e soltos, desprovidos de inspiração e criatividade, num ritmo burocrático e sem o exercício da avaliação dos mesmos.
Precisamos alimentar uma outra relação com o trabalho no sentido de assumi-lo como cooperação com o Deus trabalhador e com tantas pessoas tocadas pela sua graça. Uma relação que permita nos distanciar das cargas, ativismos, tarefas estressantes... e viver o trabalho com humor e criatividade.
Uma relação que nos ajude a desfrutar do trabalho, apesar da sua intensidade.
Poderíamos assumir um tipo de trabalho mais semelhante ao do artista, que se esmera em sua peça musical, literária ou pictórica, mas que se enriquece e se expande na sua obra.
Para o mundo bíblico, o trabalho é associado à criatividade. Não simplesmente cansaço e sofrimento sem sentido, ma atividade feita em sintonia com o processo de criação que mantém o universo. A finali-dade do trabalho não se restringe em produzir, vender e lucrar. Vai além. É desejo de embelezar o mundo com o resultado do trabalho. E não importa se ele é pago ou voluntário, material ou espiritual, por conta própria ou para os outros. Trabalho como atividade humanizadora, porque feita com aplicação e arte.
Em suma, trabalha-se para fazer do mundo um jardim, e não uma superfábrica ou uma lixeira de restos. Nesta ótica, todo trabalho é arte, tem sentido transcendente, e todo ser humano que põe seus dotes a serviço do planeta é um artista.
O trabalho nos revela para os outros e para nós mesmos Por meio dele construímos nossa identidade. A partir dele descobrimos habilidades, dons, limites, competências, alegrias, tristezas, realizações, fracassos... Criamos vínculos com as pessoas, com os ambientes, com a cidade...; desenvolvemos interesses, afinida-des, finalidades e metas para nossa vida; e também afinamos sonhos, desejos, projetos...
Por meio do trabalho poderemos conhecer nossa própria interioridade projetada sobre a obra e, ao mesmo tempo, a obra realizada torna-se o espelho do nosso próprio rosto; contemplar-nos a nós mesmos no trabalho realizado e, com júbilo, poderemos exclamar como o Criador: “E viu que era bom!”
Nesse sentido, o melhor seria chamar o trabalho de “labor”, e o ato de trabalhar de “elaborar”.
O ser humano se elabora como tal, ao mesmo tempo que elabora a natureza. Ele luta, cansa-se, afadiga-se, esforça-se, esmera-se... mas o trabalho o rejuvenesce, fornece-lhe energia e entusiasmo, alegra-se com o fruto... Ele vive e delicia-se do e com seu trabalho. Porque “trabalhar é criar, é ser inventivo”.
Com isso, o trabalho deixa de ser suportado como um mal menor, como se fosse uma carga inevitável que unicamente proporciona os meios necessários para sobreviver. De fato, a verdadeira vida não se limita ao descanso do final de semana, dos feriados prolongados, das férias... O ser humano revela-se “pessoa” no ato criativo. “Trabalhar descansadamente”, eis o desafio.
A sociedade atual reclama de nós formas de vida que revelem como é possível desfrutar da beleza do trabalho. A grande questão está em promover um ritmo de vida que garanta a maturidade profissional, o crescimento espiritual, o discernimento, a união com Deus, o espírito de comunhão, o trabalho partilhado.
Com isso o trabalho torna-se oração: trabalha-se rezando e reza-se trabalhando.
Como cristãos, deveríamos ser capazes de evangelizar a sociedade precisamente naquilo que nos é mais característico: sem afastar-nos dela, mostrar um jeito sério e comprometido de trabalhar, mais humano e evangélico. É preciso descer de nossa máquina existencial de corrida.
Na espiritualidade bíblica buscamos a inspiração e o sentido para o trabalho cotidiano; ela nos motiva a praticar a pausa, o olhar calmo e contemplativo, os gestos serenos... Viver é ser mais lentos, mais sua-ves, mais essenciais, mais conscientes... com mais profundidade. Com isso, teremos a serenidade e a paz para poder descobrir, ou encontrar, na ação cotidiana, pequenos tesouros que enriquecem nossos encon-tros. Assim, nosso trabalho se converterá em sinal de benção que faz crescer a beleza e o sentido das coisas; e a festa da vida não terá fim.
Esta é a espiritualidade do trabalho, ou seja, o trabalho como colaboração do ser humano ao Deus tra-balhador; pelo trabalho a pessoa está louvando o Pai, está salvando o mundo e está crescendo em graça. Louvor sem trabalho é alienação; Trabalho sem louvor é escravidão.
Trabalho que se faz com amor;
Amor é servir, trabalhar: trabalhar com a mesma intenção de Deus; trabalhar com Deus na mesma direção, fazendo as mesmas obras que Deus está fazendo, ou seja, aperfeiçoando a Criação.
Encontramos aqui o fundamento para uma teologia do trabalho: o fazer, seja ele qual for, é redendor, se a motivação é evangélica, se ele está orientado para o Reino.
Não é o trabalho que nos faz importantes, mas somos nós que fazemos qualquer trabalho ser impor-tante, quando ele é realizado na perspectiva do Reino de Deus. Todo trabalho é nobre, seja ele o de cinzelar estátuas ou o de esfregar o chão.
A alegria do trabalho está no fato de perceber o sentido e a intenção presentes nele. Afinal, somos chamados a “trabalhar na vinha do Senhor”. E se é “vinha do Senhor” o importante é a intensidade do compromisso, sem queixas e sem comparação com os outros; o trabalho a serviço do Senhor já é uma Graça e a recompensa não pode ser exigida; ela é dom.
A verdadeira “experiência espiritual ” é estabelecer com o “Deus da Vida” uma relação “desinteres-sada”, isto é, uma relação na e a partir da gratuidade; é passar do “Deus mérito” ao “Deus do dom”, do “Deus juiz” ao “Deus Pai-Mãe”, do “Deus ameaça” ao Deus de “bondade escandalosa” que nos desafia a sermos criativos em sua vinha.
Daqui brota a dimensão contemplativa do trabalho, pois este passa a ser “templo” do encontro com Deus trabalhador e de co-laboração com os outros.
O “trabalho contemplativo” é aquele que é feito com carinho, poesia, ciência e consciência; caracte-riza-se por ser uma atividade diária, plena de sentido e dignidade, levando em conta a sensibilidade, a criatividade, os impulsos vitais; desenvolve a imaginação e nos faz ficar admirados diante daquilo que elaboramos; enriquece o espírito e fortalece o caráter; abre nossas mãos para ajudar e unir-nos aos outros, em espírito de cooperação; ajuda a descobrir o lampejo de Deus que tanto trabalha em nosso favor.
Textos bíblicos: 2Tes. 3,1-12 Mt. 20,1-16
Na oração: - dar sentido de amor e profundidade ao trabalho diário;
- através do trabalho, servir a Deus por puro amor;
- ser contemplativo na ação: o trabalho como lugar do encontro com Deus.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
ESSE INCANSÁVEL PERDÃO”
“O perdão configura o ser humano à imagem de Deus”
Pouca gente, mesmo entre cristãos, compreende o sentido profundo do perdão.
A maioria pensa que é uma forma de anistia do sentimento, esquecimento, ato interno capaz de compreen-der o ofensor e desculpá-lo no fundo do coração misericordioso; para uns o perdão significa passar por cima de um erro ou violência, deixando o agressor ir embora; para outros, o perdão é até imoral.
De fato, o perdão nunca se encaixa confortavelmente dentro dos padrões naturais do comportamento humano. Ele não nasce espontâneo dentro do coração do ser humano.
O perdão viola as sensibilidades sociais, e sempre o fará. O perdão transgride.
O perdão não é um gesto fácil – o perdão é um gesto ... “inumano”, porque toda a nossa impulsividade natural vai em direção contrária a ele.
Representa considerável avanço em relação ao mais primitivo desejo de vingança.
Sabemos que, no nível mais primitivo, o desejo humano não visa o perdão, mas a retaliação.
Perdoar é ir além do princípio de retaliação. Por isso é uma atitude atrevida e ousada.
O perdão representa a inovação: ele ataca, com todo vigor, aquilo que parece ser uma lei de nossa história. Isso porque a lógica que regula as relações inter-humanas é regida pela lei do mais forte, ou, no melhor dos casos, pela lei da reciprocidade, da equivalência, como norma de justiça.
Perdão não é esquecimento do passado, é o risco de um outro futuro que não aquele imposto pelo passa-do ou pela memória ferida. É convite à imaginação para responder com um gesto inovador e criativo a quem causou dano ou ofensa. É preciso aventurar-se no encontro com o outro.
O perdão “inventa” uma atitude não prescrita e nem prevista em nenhum manual de comportamento.
O verdadeiro sentido da revolução cristã do perdão é ainda bem mais radical: “mais que ausência de ódio no coração do ofendido, o perdão é ação de amor na direção do ofensor” (Artur da Távola)
O cristianismo é tão revolucionário que exige do ser humano não apenas a grandeza de compreender e desculpar o ofensor, mas a capacidade de amá-lo. O perdão é superlativo do amor.
Reinhold Niebuh descreveu o perdão como a “forma final do amor”. Perdão é amor que reconstrói o passado e que só Deus podia inventá-lo.
Perdoar é ter esperança no ofensor, acreditar em sua humanidade, oculta sob a sua fragilidade.
O ser humano é muito mais que um ato e uma decisão. É reconhecer sua liberdade de ser, de iniciar uma nova possibilidade para sua existência e de reiniciar-se a si mesmo.
No momento do perdão, que é um momento de parto e de libertação, dá-se ao outro o direito de “ser um outro”, não o aprisionando numa única possibilidade de ação e de decisão.
Perdoar é uma atitude de vida que exige redefinição do outro (contemplá-lo sob outro prima).
É enxergar no outro não o mal que fez, mas sua verdadeira identidade de filho de Deus.
Esse é o traço característico da comunidade cristã.
Por isso, a originalidade do cristianismo está na descoberta da grandeza do ser humano, no exercício da única força capaz de mudar o mundo: o amor real. Não há revolução maior.
O amor não elimina o que já foi feito, nem faz esquecê-lo, mas consegue arrancar a vida de um fatal e inócuo ponto morto. E neste sentido entra em jogo o perdão cristão: ele nos permite recolher os fatos passados que estão “bloqueados” e orientá-los para horizontes muito mais amplos de sentido.
O perdão não tem impacto no que foi, mas no que é e será. É um gesto de responsabilidade para com o
presente e o futuro. Um perdão que faz sentido e que enriquece a vida ao invés de empobrecê-
la. Se o passado foi estreito, não permite que o presente e o futuro o sejam.
O perdão é a única atitude que pode movimentar as histórias pessoais e coletivas, lançando-as para fora
do círculo vicioso do já realizado, para fora da repetição e da mesmice.
O perdão limpa o terreno para o novo; ele nos arranca do imobilismo do passado e nos faz dar um passo a mais. Este “passo a mais” permite-nos sair de nossas memórias feridas, permite-nos viver o presente e caminhar para o futuro. O perdão reconhece na pessoa a sua condição humana, ou seja, o dom de começar de novo, o dom de iniciar algo novo e surpreendente.
Em última análise, o perdão é um ato de fé na bondade fundamental do ser humano.
O perdão é um ato não-humano, parece mesmo ser um ato puramente divino.
Joan Chittester chama o perdão “o mais divino dos atributos divinos”.“Perdoar - ele afirma -é ser como Deus”. Mas este ato divino nos é revelado que ele está ao nosso alcance, porque Deus nos convida a ele.
O perdão é divino porque, para o ser humano, ele é verdadeiramente divino em seus efeitos e em seu próprio processo; ele traz em si algo de divino, que significa efetivo recomeço, como um novo momento inaugural (uma nova criação, segundo a Bíblia).
O perdão é um dom que abre para uma história nova. Ao se fazer oferta, o perdão se propõe abrir um novo caminho; ele evoca uma nova aliança. Por isso, o perdão não é apenas um ato criador, mas “re-criador”, portador de uma nova vida. Restaura o amor e seu mais belo fruto, a comunhão das pessoas.
Os recursos do verdadeiro perdão são infinitos. Eles jamais acabam. O perdão é “alargamento do coração humano”, é movimento, é expansão de si, é des-centramento... e impulso na direção do outro.
O prefixo “per” é o mesmo que encontramos nos verbos per-correr, per-durar, per-fazer..., e leva à ple-nitude a ação expressa pelo verbo. O perdão é o dom realizando-se no supremo grau de sua gratuidade; é uma atitude de quem não se prende ao que o outro merece e nem se escandaliza com sua miséria. “Deve-mos perdoar como pecadores e não como justos”.
Textos bíblicos: Mt. 18, 21-35 Eclo. 28,1-9
Assinar:
Postagens (Atom)


