sexta-feira, 19 de maio de 2017

JIAC & Ação


No último dia 04 de maio, alguns membros da Comunidade Loyola, integrantes do projeto Jiac & Ação, visitaram a Fundação Fé e Alegria do Brasil, em Santa Luzia-MG


“Fé e Alegria é um Movimento Internacional de Educação Popular e Integral de Promoção Social, baseado nos valores da justiça, da liberdade, da participação, da fraternidade, do respeito à diversidade e da solidariedade, dirigido à população empobrecida e excluída, para contribuir na transformação das sociedades”, conforme consta em sua página no Facebook,

A fundação foi criada pelo padre jesuíta José María Vélaz e é mantida pela Companhia de Jesus.

A finalidade da visita foi conhecer a realidade da obra naquele município, suas dificuldades e desafios, para que a Comunidade Loyola possa, por meio da Jiac, contribuir com esta causa. Atualmente, os coordenadores da Jiac & Ação estão realizando atividades preparatórias para, em seguida, apresentar proposta à Comunidade Loyola com o objetivo de convidar a todos a participarem do projeto.

Mas o que é Jiac & Ação?
A Jiac & Ação  é uma iniciativa de membros da Jiac que acreditam no potencial da Comunidade Loyola e na possibilidade de sua participação em projetos de promoção social.

Como funciona a Jiac & Ação?

Uma equipe da Jiac avalia a situação de entidades assistenciais, suas realidades, necessidades e possibilidades de projetos e propõe linhas de ações que visem a um objetivo determinado. Pode ser uma ação pontual ou um projeto que se desenvolve em curto, médio e longo prazos.

Como posso participar?
Qualquer pessoa pode participar da Jiac & Ação, mas este projeto deve ser desenvolvido, fundamentalmente, por membros da Comunidade Loyola. A participação pode ocorrer de várias maneiras, desde a simples contribuição financeira até o trabalho voluntário, com cada participante dispondo de seus dons a serviço da causa que foi abraçada.

Há alguma ação em curso?
Atualmente, estamos avaliando como contribuir a Fundação Fé e Alegria, aqui apresentada. De acordo com o idealizador desta obra, Padre José María Vélaz, “Fé e Alegria começa onde termina o asfalto, onde a cidade muda de nome, aonde não chega água potável”. Neste caso, teremos que nos deslocar até Santa Luzia, onde poderemos interceder em favor dos destinatários do Fé e Alegria.

E quem são estes destinatários?
São crianças, cujos pais ganham salário-mínimo ou em torno disso. Essas crianças necessitam de acompanhamento quando não estão nas escolas em que estudam. Fora do horário das aulas, elas são recebidas pelos funcionários do Fé e Alegria e passam algumas horas em atividades lúdicas e de formação, de tal forma que seus pais tenham tranquilidade para trabalhar.

Como posso ajudar o Fé e Alegria?
A forma mais simples, mas muito necessária, é com o compromisso de doação mensal de alguma quantia, por meio de débito em conta bancária. Neste sentido, precisamos da colaboração de toda a comunidade. Outra maneira de contribuir é por intermédio do envolvimento com as ações que serão implementadas. Neste caso, também precisaremos do tempo, da dedicação, do conhecimento daqueles que se dispuserem a trabalhar. Visando esta possibilidade, sugerimos que preencha os dados do cadastro anexo.

O que a Jiac & Ação pode fazer pelo Fé e Alegria?
A primeira ação deverá ser a aquisição de materiais destinados a todas as crianças. Para isso precisaremos arrecadar recursos e essa será uma ação pontual. Outra iniciativa poderá ser a contratação de um funcionário para o Fé e Alegria. Por falta deste funcionário, não há como atender as crianças todos os dias e isto é um sério problema para os pais, além de pôr em risco a segurança das crianças. Para essa ação, precisaremos de contribuições mensais. Posteriormente, deveremos fazer mutirões para o atendimento de médicos, psicólogos, dentistas, fisioterapeutas e de outros profissionais.

Como poderei acompanhar o desenvolvimento das atividades propostas?
A Jiac & Ação deverá noticiar suas atividades através deste blog, e-mails e redes sociais. Para assegurar a transparência de suas contas, todos os balanços serão divulgados, bem como a destinação das doações, de tal forma que todos possam ficar cientes de todas as ações, receitas e despesas.

 

Para cadastrar-se no Jiac & Ação, envie os dados abaixo preenchidos para o email jiac.acao@gmail.com.


   Nome:
   Tel:
   Cel:

   E-mail:
   Profissão:
   Habilidades:
   Tenho disponibilidade para participar do projeto nos seguintes dias e horários:
   Minha Sugestão para a Jiac & Ação:

Fique ligado neste blog!

terça-feira, 16 de maio de 2017






É hoje nosso Lucernário!
Acabei de tirar essa foto!
Olha o céu! 👏👏👏
Será no Centro Loyola as 19:30 horas.
Sugestões : Vá de UBER/CABFY/TÁXI
Pedido: Vá de Branco 🙏
 
Rua Sinval de Sá 700

segunda-feira, 13 de março de 2017







Querida Comunidade!
Nesta sexta feira o Grupo dos 5 esteve reunido com muito amor e carinho para a Montagem das Equipes da JIAC 2017.
Temos uma planilha com mais de 2000 nomes, nela constam os nomes das pessoas que fizeram a Jornada, o ano em que fizeram e as equipes que já trabalharam.
Alocamos primeiro os violeiros, os cozinheiros e os acolhidos de 2016.
Depois fomos colocando as pessoas que trabalharam nos últimos anos.
E agora queremos resgatar as pessoas que não trabalham há muitos anos.
Pedimos com muito carinho que se você não for chamado (a) , entre em contato conosco. Queremos uma JIAC cheia de AMOR , ALEGRIA E REENCONTROS.
Que Santo Inácio nos ilumine e que tenhamos feito o melhor para que Deus possa se fazer Presença.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Amigos e amigas, no próximo domingo iniciaremos mais um Ano Litúrgico (Ano C), que começa com o Advento, preparando-nos para as festividades do Natal.


ADVENTO, DEIXA-TE SURPREENDER

 

 “...levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima” (Lc 21,28)

 

Mais uma vez o Advento vem ao nosso encontro, e com ele o convite para continuar ampliando espaços para Deus em nossas vidas. Uma oportunidade para escutar de novo sua promessa: promessa de nova vida, de um novo ânimo, uma nova esperança.

Podemos acolher este tempo com a marca da rotina(mais um ano, repetir as mesmas palavras, a espera, o “vem, Senhor”...); ou mobilizando-nos e abrindo-nos à surpresa de Deus, que virá a nós como chamado, como possibilidade, como grito para despertar-nos...Que nos abramos ao novo!

 

O melhor do Deus que vem é que Ele se manifesta de maneiras inesperadas: desfaz certezas, rompe convenções, renova sonhos, não busca brilhos ou ornamentos, aplausos ou adesões forçadas. Sua chegada não exige cobranças nem condiciona com exigências desmedidas. A esperança abre passagem por onde menos esperamos. E Deus continua aparecendo onde e quando ninguém espera.

Para “conhecer” a realidade e a verdade do Advento precisamos de olhos novos e de um coração novo.

É necessário despertar aquela “sensibilidade” escondida e abafada pelo ativismo e pelo ritmo estressante de nossa vida. No Advento, toda a humanidade é atingida como que por um raio, é tomada de surpresa.

A sua noite, o seu silêncio, o seu sono, a sua rotina diária... é quebrada por uma novidade absoluta.

O Advento é, por sua própria natureza, uma surpresa que quebra a solidão das pessoas abandonadas a si mesmas, que irrompe no meio de uma vida sem sentido e sem direção, que traz luz para os ambientes fechados e frios.

 

A “sensibilidade” despertada pelo Advento recupera em nós o sentido da surpresa,recobra a atitude da expectativa, da novidade, do assombro...diante da vida. Porque é no traçado das horas e dos dias que Deus prepara sempre a sua novidade, a sua surpresa, o seu dom natalício.Tal surpresa faz brotar o entusiasmo para enfrentarmos os desafios da vida, despertando projetos arquivados, suscitandodinamis-mo novo no cotidiano pesado, fazendo-nos levantar de novo e retomar o caminho...

Precisamos conservar límpidos os olhos do espírito, prontos para perceber a maravilha que está ger-minando na nossa vida.O Advento quer reafirmar a possibilidade de uma alternativa, da chegada de um hóspede inesperado, porque é “boa nova”, é evangelho.

Por isso,o cristão não deve jamais cair na resignação, mas permanecer em vigília, na expectativa; ele deve ser também uma surpresa para os outros, com seu gesto de amor imprevisto, com sua palavra que reanima, com sua visita que consola, com sua atenção para com todos os que levam uma vida obscura e monótona.Ele olha o mundo com inteligência, sim, mas também com a simplicidade das pombas; sabe intuir obem secreto, também sabe apreciar a poesia da vida e da natureza.

 

No evangelho de hoje, Jesus dá por suposto a existência de situações desastrosas que nos sacodem, enchendo-nos de ansiedade e preocupação; mas, onde nós só vemos catástrofes, Jesus vê “sinais”. E a condição para descobri-los é erguer a cabeça, levantar os olhos, ir mais além do imediato que nos cega e nos prende em redes de desejos insatisfeitos, em obsessões por conservar modos de vida que considerá-vamos definitivos, em temores que embotam nosso coração impedindo o fluir da vida.

Curvados sobre nós mesmos, sem horizonte, sem poder olhar de frente, nem entrar em relação de reciprocidade, carregando durante longo tempo um peso excessivamente grande (culpa, ressentimento, vergonha), bloqueados, privados de nosso próprio potencial: este é o drama que nos desumaniza. Nossos corpos encurvados se fazem texto, linguagem, grito, petição... para serem endireitados.

Nesse contexto ressoa com força o apelo de Jesus: “levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima”.

 

Nosso corpo fala mais e com mais veracidade que nossas palavras, o que irradiamos revela algo sobre nós. E há corpos que em silêncio clamam por cura e cuidado. É preciso interrogar nossos corpos para que eles nos contem suas histórias guardadas: seus segredos, suas dores, suas vivências. Devemos ser capazes de lê-los e respeitá-los, para poder devolver-lhes sua harmonia e sua beleza originais.

É nosso próprio corpo posto de pé, é nossa própria vida circulando semataduras, é a libertação de nossas forças afetivas, a possibilidade de olhar outros olhos sem temor e de entrar em comunicação... que nos faz experimentar uma relação nova com a vida.

Aspiração, sede, ansiedade, expectativa, estar de pé: isso é o que nos invade quando sentimos que se aproxima algo que desejamos de verdade. Pois isso é o Advento: tempo para os grandes sonhos.

 

Só os medíocres ou os desesperados renunciam a sonhar.

Pois bem, se o desânimo nos assalta, é tempo novo para levantar a cabeça, olhar ao longe, bem para fora, bem para dentro. Deixar que ressoe como uma promessa a Voz de um Deus que atravessa o tempo para dizer-nos:“aproxima-se vossa libertação”.

Mergulhados naquilo que é margem, passageiro, na superfície das coisas, perdemos de vista o essencial e caímos na resignação. Perdida a capacidade de maravilhar-nos, o Advento esvazia-se e torna-se mais um tempo litúrgico rotineiro.

 

Poderíamos dizer que o Advento nos apresenta uma “espiritualidade do despertar”. Se estamos ador-mecidos ou anestesiados, sem nos encantar com a maravilha e o desafio de estarmos vivos, precisamos despertar. Despertar para a gratuidade da vida, para o chamado à convivência e comunhão, despertar para uma presença misericordiosa. Jesus vem despertar-nos e ativar nossa esperança.

É preciso saber olhar, abrir os olhos, ler a vida e despertar-nos para aquilo que acontece à nossa volta.


O chamado original a “despertar” reveste-se de uma profundidade muito maior, que conecta com aquela palavra com a qual Jesus inicia sua atividade pública: “convertei-vos”. Na realidade, trata-se de um novo modo de olhar ou de conhecer, de um “conhecer mais além da aparência”.

Quê significa “despertar”? Em quê sonhos estamos mergulhados? Como dar-nos conta de que estamos “adormecidos”? Há algo que possamos fazer?... Todas estas questões são evocadas pelo convite que aparece na boca da Jesus: “Estai sempre despertos”.

A pessoa desperta é aquela que experimentou intensamente a vida e, graças a isso, vive ancorada, enraizada e conectada com a sua verdadeira identidade, ao seu eu original e universal.

 

Se há uma palavra que perpassa todas as tradições religiosas, essa palavra é “despertar”, não no sentido individualista e moralizante, ou seja, manter um adequado comportamento moral para, desse modo, alcançar a salvação.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Texto bíblico:Lc 21,25-28.34-36

 

Na oração:Quando foi Deus, para você, o Deus inesperado?”

Em quê se concretiza para você a promessa de Deus? Quê espera ou deseja de verdade? Qual é a boa notícia na qual você acredita?Como vive você este Advento? Quê há, em sua vida, de busca, sonho, aspiração, desejo... em sintonia com Deus?

 

 

segunda-feira, 9 de novembro de 2015


A ESPERANÇA DE VIVER O PRESENTE DE MANEIRA CRIATIVA

 

“O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão” (Mc 13,31)

 

Estamos chegando ao final de mais um “ano litúrgico” (este é penúltimo domingo), e a liturgia nos propõe leituras que, fazendo referência aos “últimos tempos”, querem nos convidar à “vigilância” e a atenção ao tempo presente.

O Evangelho de hoje é parte do cap. 13 do Evangelho de Marcos, que contém um breve “apocalipse”, ou seja uma revelação, um des-velamento, um des-nudamento dos múltiplos véus que revestem o palco, lúdi-co e trágico, da encenação do drama humano, com suas contradições, incertezas, promessas e esperanças.

Devido às imagens que este gênero literário utiliza, com frequência atribui-se ao termo “apocalipse” um significado de “catástrofe” ou “destruição”. A realidade, no entanto, é diferente. Etimologicamente “apo-kalypsis” significa “destapar o que está escondido”, “tirar o véu”, “des-velar”, ou seja, “re-velação”.

À mesma raiz pertence a palavra “eucalipto”, cujo significa etimológico é: “eu-bem”; “kalypsis- escondido”, fazendo referência ao fato de que tem perfeitamente escondidas suas minúsculas sementes.

 

Assim pois, etimologicamente, “apocalipse” equivale a “verdade” (“aletheia”=sem véu). E, como consequência, o escrito apocalíptico pretende “retirar o véu” que nos impede reconhecer as coisas como são, ou seja, revelar-nos o que se encontra por debaixo da superfície, em um nível mais profundo. É como se o autor quisesse nos dizer: “as coisas não são o que parecem ser”.

Em cada momento histórico o texto do Apocalipse é lido e interpretado em função dos acontecimentos. Este gênero literário é uma luz que nos ajuda a “ler” a realidade (interior e exterior), desvelando tudo o que acontece nela e assim poder assumir uma atitude mais coerente com a proposta do Evangelho.

Assim, pode-se “ler” esse texto como se escutasse um sonho revelador.

O Apocalipse, portanto, é um empenho da comunidade cristã em dar sentido a tudo o que está aconte-cendo e assim reencontrar sua dignidade no coração das situações mais difíceis.

 

A revelação que ocorre no interior de cada um e na realidade que nos envolve é o des-velar (tirar o véu) de uma Presença. No centro de nossa solidão e de nosso exílio  não estamos sozinhos, mas temos a visão de Alguém, que vem ao nosso encontro.

No texto evangélico de hoje nos é revelado, através de sinais (abalos celestes e terrestres, tribulações...), que esta ordem das coisas (o “mundo”) vai ser renovado em profundidade. Tudo desmorona à nossa vol-ta, tudo vai desaparecer; mas o que o texto parece resgatar é a contundente confiança na afirmação e na promessa de Jesus: “O céu e a terra passarão, mas minhas palavras não passarão”. As Palavras do Fi-lho do Homem constituem o nosso rochedo, são a nossa força. É um convite a nos re-centrar.

Quando somos transtormados pelos acontecimentos e somos levados pelas nossas emoções, pelas nossas reações, pelos nossos medos, é preciso voltar ao centro.

O ciclone tem uma violência enorme e gira velozmente, mas seu centro é calmo, imóvel.

É preciso voltar ao centro do ciclone onde está o “Filho do Homem”, onde está o coração, onde está o Cordeiro. Esta vida nova está no centro da situação que vivemos, no centro desse mundo que é o nosso.

É a partir do interior que algo pode mudar.

 

Nesse sentido, o gênero “apocalíptico” vem nos dizer que, para além daquilo que possa ocorrer na super-fície da história pessoal e coletiva, há uma Realidade estável que nos sustenta e que podemos experimen-tá-la como “rocha firme” sobre a qual firmar nossos pés. A velha ordem virá abaixo para ser substituída por um mundo novo que será inaugurado pela presença do Filho do Homem, reunindo toda a humani-dade (“os quatro cantos”) e estabelecendo o “Reinado de Deus”.

Trata-se de um anúncio esperançador e certo. Esperança representada pela imagem da figueira que, carregando-se de brotos, anuncia a primavera. Esse é o nosso destino: caminhamos para uma Primavera que não conhecerá ocaso.

Na realidade, os discursos apocalípticos, a pesar de sua aparência, são sempre um chamado à esperança,

que não é uma projeção para um determinado futuro, que serve para fugir do presente ou para poder “suportá-lo”; nem pode ser entendida como mera “expectativa” que nos afasta do presente, senão que nos faz ancorar nele, ou seja, viver na Plenitude do que é, no Presente pleno e com sentido.

 

A esperança, talvez mais do que qualquer outra inclinação ou disposição, está bem no cerne do ser humano e de sua existência, fazendo-o viver e dando sentido à aventura de sua existência. Basta pensar no que significa o desespero, a ausência de horizonte, a falta ou a perda de todo projeto possível, para com-

 

preender que a esperança emerge das profundezas do ser humano. Sem esperança , ele não pode viver.

O ser humano é ser “esperante”.

Segundo Rubem Alves, a esperança é o oposto do otimismo. Otimismo é quando, sendo primavera do lado de fora, nasce a primavera do lado de dentro. Esperança é quando, sendo seca absoluta do lado de fora, continuam as fontes a borbulhar dentro do coração. Otimismo é alegria “por causa de”: coisa humana, natural. Esperança é alegria “apesar de”: coisa divina. O otimismo tem suas raízes no tempo. A esperança tem suas raízes na eternidade.

 

A esperança carrega uma força misteriosa, um sopro criador, um alento espiritual que nos leva a olhar tudo com fé e encantamento; é um princípio vital, expresso na sábia e verdadeira constatação de que “enquanto há vida há esperança”. Mesmo diante de intransponíveis situações, vislumbramos possibilida-des de saída, achamos possível ser de outro modo, inventamos e reinventamos alternativas, recusamos a possibilidade de as realidades nos dominarem e, sem cessar, sonhamos com o mais e o melhor.

A esperança é gestora do futuro e rompedora da dureza do existir.

Paulo Freire insistia que não se pode confundir esperança do verbo “esperançar” com esperança do verbo “esperar”. Esperançar é se levantar, é ir atrás; esperançar é construir e não desistir. Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo.

 

Uma das coisa mais perniciosas que vivemos no atual momento é o esvaziamento da esperança, que se expressa no desalento, desânimo ou até na covardia tolerante.

Michelângelo dizia que “Deus concedeu uma irmã à recordação, e chamou-se esperança”.

A esperança, portanto, é como esse impulso que desafia o presente imediato, sempre curto e sem raízes no futuro; é ela que nos permite escrever nossa história com mais criatividade e ousadia, nos abre à inven-ção de possibilidades que nos fazem viver, corrige o passado e nos faz recomeçar, mantém a coragem de ser, transforma em nós o ser de puras exigências e de simples necessidades em seres capazes de dom e de desejo. Na esperança, encontramos a abertura e a amplitude de nossa vida.

Não basta esperar, é preciso uma paixão de esperança, a qual somente é possível se conduz para um horizonte plenificante, para um além da vida do dia-a-dia.


Texto bíblico:  Mc 13,24-32

 

Na oração: Como se situa diante dos desafios que é

                    chamado a assumir? Não se sente cansado por já ter vivido tantas mudanças?

- Você se arriscaria por um novo começo?

- Ou talvez desanimado porque as coisas não aconteceram como havia previsto? Ou, ao contrário, cheio de energia, entusiasmado por ser protagonista de uma época considerada de graça e de bênção?

- Quê esperanças você carrega no coração?

sexta-feira, 8 de maio de 2015

SOMOS ALEGRÍA

”Eu vos digo isto para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena” (Jo 15,11)

É profundamente sábia a afirmação acima, feita por Jesus no contexto da Última Ceia. E é profundamente significativo que Ele pronuncie estas palavras no contexto de seu “único mandamento”. Alegria e Amor são dois nomes da Realidade que somos. E não podem andar separados. Não se trata de nenhuma crença, nem tampouco de uma exigência moral. A Vida é Alegria e Amor.
O evangelho de hoje parece nos indicar que a alegria, junto com o amor, é um dos sentimentos mais tera-pêuticos: nos centra e nos descentra, nos resitua, nos abre a dimensões de infinito, tirando-nos de meca-nismos egocentrados, que nos fazem girar sobre nós mesmos de um modo doentio.
Todos nós podemos fazer a experiência de que, quando nossa capacidade de amar se encontra liberada, a alegria flui espontaneamente. E quando nos sentimos conectados à alegria, o amor flui na mesma medida.
Por isso, caminhamos na direção adequada na medida em que permanecemos conscientemente conectados a ambas realidades. E não por uma exigência moral, mas porque descobrimos que se trata de nossa verdadeira identidade.
Como dom do Espírito, a alegria brota do interior da pessoa e se expande; nesse sentido, a alegria é mais que um estado de ânimo; é o estado da pessoa inteira. Por isso, a alegria não é algo que acontece na pessoa: é a pessoa mesma acontecendo. A alegria é gerúndio: é a pessoa alegrando-se.
A alegria se dá na mesma medida que a vitalidade; de fato, ela é seu primeiro sinal. Quando não há nada que “deprima” a vida da pessoa, automaticamente experimenta a alegria de viver. Só quando a vida se vê bloqueada – geralmente por falta de amor – a alegria de apaga, até o ponto de se crer que ela desapareceu.

Nossa alegria é Cristo ressuscitado. Ele é a causa de nossa alegria. Ele nos dá vida em plenitude.
A alegria é um elemento central da experiência cristã. Nisto consiste a verdadeira alegria: em sentir que um grande mistério, o mistério do amor de Deus, visita e plenifica nossa existência pessoal e comunitária.
 “A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Com Jesus Cristo sempre nasce e renasce a alegria” (Ev. Gaudium).
Jesus é um homem vital e alegre. Não é um moralista que busca algum tipo de comportamento específico, nem é um legalista que controla a vida das pessoas. Só lhe interessa que as pessoas possam experimentar a Alegria profunda.
Os Evangelhos nos revelam que Jesus vivia sereno, feliz ,alegre . As bem-aventuranças são o fiel reflexo de sua vida; seu íntimo trato com o Pai, sua paixão pelo Reino, suas relações pessoais, suas amizades, seu estilo de vida, sua vivência sob a ação do Espírito... são vividos na paz e na alegria.
Diante dos sinais e prodígios que realiza Jesus exulta de alegria no Espírito Santo; revela-nos que Deus é alegria em si mesmo e para nós e que a salvação definitiva é “entrar na alegria do seu Senhor” (Mt 25,21).

A alegria, sentimento pascal, é um sinal palpável de saúde mental-emocional-espiritual, tanto nas pessoas como nas comunidades. A ausência da alegria, ao mesmo tempo que revela algum mal-estar não resolvido, costuma traduzir-se em rigidez e dureza para com os outros. É como se, ao não poder estar eu alegre, não posso permitir que ninguém esteja.
Esta alegria não está livre da presença de dificuldades, problemas, conflitos... Tudo isto faz parte de nossa condição e da porção da existência. Mas a Alegria de que fala Jesus é aquela que abraça os “bons” e “maus” momentos, do mesmo modo que a calma profunda do oceano permanece estável, haja serenidade ou tormentas em sua superfície. Trata-se de uma alegria unificadora que experimentamos quando estamos em contato com nossa verdadeira identidade.

“Somos Alegria”, embora nos toque passar por momentos de obscuridade, dor, aflição...
Cristãos tristes? Talvez, pela presença da dor, da injustiça, da prepotência, do mal humor, dos sorrisos su-perficiais e irônicos..., por tantas coisas contrárias ao amor. Mas alegres no Senhor, seguros de seu triunfo, tranquilos por não ter que aparentar o que não somos, sem medo de fracassar, prontos para conversar como autênticos irmãos. Quê alegria saber-se salvos! Que sabor infinito poder ser simplesmente humanos!
Traços característicos desta Alegria Cristificada. Quando a experimentamos ela transforma a vida; ela é o estado de espírito onde seguramente Deus habita. É o melhor presente: produz contágio e atração; é sintoma evidente de uma vida sadia; é a que ativa a confiança e segurança a tudo o que está ao redor. Ela é opção para que os outros respirem, descansem. Requisito imprescindível é que alargue horizontes, que seja compartilhada com outros. Acompanha toda pessoa aberta que assume o futuro com ombros largos onde cabem outros. É o termômetro do tempo doado, de uma cruz assumida e que pode libertar a muitos.
 É a linguagem da novidade, a oferta irrenunciável e, talvez, o desafio mais necessário: recordar ao mundo que Pai se diz sorrindo, que Filho se pronuncia rindo e que é o rastro indiscutível de um Espírito que só pode ser Santo.

A Igreja, por vocação e missão, deve ser alegre. Toda ela é profecia de alegria e esperança.
Na Exortação Apostólica “A Alegria do Evangelho”, do papa Francisco, aflora um sentimento vivo da alegria do evangelho que enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus, em contraste com o risco da tristeza individualista, busca de prazeres superficiais e o isolamento do mundo atual. O Evangelho é fonte de alegria e de vida, um contentamento que brota do encontro com o Cristo ressuscitado. É genial que a primeira experiência do Ressuscitado tenha ficado associada ao regozijo extremo, ao júbilo irrefreável e à animação incontrolável. Alegria com sabor de reencontro, satisfação por uma vitória (nada menos que frente à morte), glória bendita.
Esta alegria é a que impulsiona os cristãos a evangelizar, a anunciar a boa e sempre nova notícia da salvação e do amor de Cristo. Por isso, os cristãos não devem ter cara de funeral, nem de quaresma sem Páscoa, mas irradiar ao mundo a alegria de Cristo.
Páscoa é passar de uma Igreja envelhecida, triste, com rosto amargo a uma Igreja jovem e alegre, fermento na sociedade, com a alegria e a liberdade do Espírito.

Texto bíblico:  Jo 15,9-17

* A aceitação da própria condição humana lhe ajuda a celebrar a vida  em todas as circunstâncias e a saborear a realidade,  cheia de riscos, incerta e insegura para todos, mas,  ao mesmo tempo, única e irrepetível para sempre.
* Reze de coração alegre uma oração nova, a “oração do sorriso”.  Chore os seus pecados, mas ria do pecador que você é. A partir de então, o ruído do riso solto, inexplicável e explosivo, lhe avisará de que Ele está por perto. Abra-se à presença misteriosa do Ressuscitado que quebra a rigidez da vida e desata a alegria contida.