"...Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja..."
Esse é o cantinho da Comunidade que participa da Jornada Inaciana de Acolhida do Colégio Loyola de Belo Horizonte.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
A DOLOROSA FERIDA DO MEDO
“Coragem! Sou eu. Não tenhais medo! (Mt. 14,27)
Chegamos à pós-modernidade com uma enorme carga de medo; somos atormentados o tempo todo pelo medo; um medo sem nome, um fantasma sem rosto, escuro como uma sombra e rápido como uma tempestade; medo cruel que afeta os corajosos e agride os ousados. Não existe depósito de munição mais potencialmente explosivo do que os estoques de medo guardados nas escuras profundezas do ser humano. Há um verdadeiro pânico permanente envolvendo grupos, pessoas e instituições.
O medo deixa as pessoas vulneráveis à manipulação.
Elas encaram os outros como inimigos, e as oportunidades como ameaças. A vida é um campo de batalha
Uma longa cadeia de medos, da primeira à última respiração, nos ameaça nesta terra de sombras.
Diferentes medos congelam nossas relações, atormentam nossa vida, quebram nossa serenidade, obscu-recem o nosso próprio ser, matam nossos sonhos e intuições: medo do fracasso, da velhice, medo de mu-danças, medo de decidir, medo de não corresponder às expectativas dos outros, medo de perder o em-prego, medo de se comprometer, medo da situação social-econômica, medo da violência, medo do diferente, medo do vazio, medo do outro, medo da solidão, medo do novo, medo de viver e de morrer, medo de dizer a verdade (dá medo porque também se tem medo da verdade), medo do futuro...
Há um medo silencioso que se manifesta na falta de sentido da vida: o medo que abala as razões para viver. Nada mais terrível do que ter medo de tudo. Com medos é insuportável viver.
Grandes medos não aparecem com freqüência; são os pequenos medos que surgem dos encontros diários com a realidade e roubam da pessoa sua vitalidade e dinamismo. O medo inibe o pensamento, impede a concentração e é, portanto, muito responsável por se fazer as coisas de modo medíocre, sem valor, abaixo das possibilidades e contra as próprias expectativas.
O medo não é um ato moral nem uma omissão. Sem ser convidado, ele cresce no coração humano. Em tal atmosfera de medo, a imaginação e todas as energias criativas se atrofiam.
O medo é um câncer que ameaça à fé, ao amor e à esperança de pessoas e instituições; ele corrói as fibras humanas, asfixia talentos, esvazia a vida e mata a criatividade. O medo encolhe o ser humano, inibe a decisão e bloqueia os movimentos em direção ao “mais”. Sua intensidade pode anular a capacidade de reação das pessoas ou das instituições; ele impede o discernimento e a busca da solução mais inteligente para os problemas; longe de resolvê-los, pode agravá-los a médio e longo prazo.
Enfim, o medo obscurece o sentido e a direção da vida, tira o brilho tão próprio do amor e seca as fontes da esperança; ele nos acovarda e nos enterra na acomodação mesquinha.
* Estamos condenados, como pessoas e como seguidores de Jesus, a viver no medo?
Do meio dos ventos contrários e do mar agitado brota um forte apelo:“Não tenhais medo”. Um apelo com força libertadora; é a força da voz de Alguém cuja presença alavanca o passo para a travessia: o passo da mudança, o passo da audácia de sonhar de novo, o passo para vislumbrar a outra margem...
Os conflitos mais profundos do nosso coração são pacificados com o atrevimento da coragem, com a força da fé, com a imaginação solta, com a criatividade livre e desimpedida...
É preciso rastrear, identificar, compreender e desterrar os medos de nossos corações.
É urgente substituir a cultura do medo pela cultura da coragem. A coragem desbloqueia energias, impulsiona decisões, levanta projetos, reacende a criatividade e o gosto por viver.
Só assim poderemos trabalhar em liberdade e viver na alegria, recuperar a confiança no Deus que nos olha com ternura, viver a partir do amor que afasta todos os medos . De fato “no amor não existe medo; pelo contrário, o amor perfeito lança fora o medo...; quem sente medo ainda não está realizado no amor” (1Jo. 4,18)
Vencido o medo, nós nos tornaremos autênticos, criativos e audazes se-
guidores de Jesus. “Quem for medroso e tímido volte para trás” (Jz. 7,3)
Texto bíblico: Mt. 14,22-33
* Jesus conhece a necessidade de intervir no mais escondido de cada um dos
discípulos; ali estão alojados os mais diferentes medos, que minam a força e
a coragem do seguimento.
* Dar nomes aos medos pessoais: são reais? Imaginários?
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
"A fé é a experiência de que a inteligência está iluminada pelo amor." (Simone Weil) Queridos amigos, É com muita alegria que o Centro Loyola convida vocês para a Eucaristia, nesta sexta-feira, dia 5 de agosto, às 20h, em ação de graças pelos cinquenta anos de ordenação sacerdotal do nosso querido padre João Batista Libânio sj, que presidirá a celebração. Logo após a Eucaristia, a mesa do café celebra também o nosso afeto e a nossa amizade. Na doce certeza de que Ele caminha conosco, esperamos por vocês. Um beijo carinhoso Equipe de Espiritualidade do Centro Loyola de BH |
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Caro(a) amigo(a)
Estão abertas as inscrições para o curso “O Dom de ser humano”, que começa na próxima semana, no Centro Loyola. A atividade será orientada pelo padre Álvaro Pimentel sj e pelo professor Ricardo Fenati nos dias 9, 16, 23 e 30 de agosto, terças-feiras, das 20h às 21h30.
As inscrições podem ser feitas na secretaria, de segunda a sexta-feira, das 13h às 21h. Informações: 3342-2847.
Um abraço fraterno.
Equipe do Centro Loyola de BH
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Santo Inácio de Loyola
No dia 31 de Julho celebramos a memória deste santo que, em sua bula de canonização, foi reconhecido como tendo "uma alma maior que o mundo".
Inácio nasceu em Loyola na Espanha, no ano de 1491, e pertenceu a uma nobre e numerosa família religiosa (era o mais novo de doze irmãos), ao ponto de receber com 14 anos a tonsura, mas preferiu a carreira militar e assim como jovem valente entregou-se às ambições e às aventuras das armas e dos amores. Aconteceu que, durante a defesa do castelo de Pamplona, Inácio quebrou uma perna, precisando assim ficar paralisado por um tempo; desse mal Deus tirou o bem da sua conversão, já que depois de ler a vida de Jesus e alguns livros da vida dos santos concluiu: "São Francisco fez isso, pois eu tenho de fazer o mesmo. São Domingos isso, pois eu tenho também de o fazer".
Realmente ele fez, como os santos o fizeram, e levou muitos a fazerem "tudo para a maior glória de Deus", pois pendurou sua espada aos pés da imagem de Nossa Senhora de Montserrat, entregou-se à vida eremítica, na qual viveu seus "famosos" Exercícios Espirituais, e logo depois de estudar Filosofia e Teologia lançou os fundamentos da Companhia de Jesus. A instituição de Inácio iniciada em 1534 era algo novo e original, além de providencial para os tempos da Contra-Reforma. Ele mesmo esclarece: "O fim desta Companhia não é somente ocupar-se com a graça divina, da salvação e perfeição da alma própria, mas, com a mesma graça, esforçar-se intensamente por ajudar a salvação e perfeição da alma do próximo".
Com Deus, Santo Inácio de Loyola conseguiu testemunhar sua paixão convertida, pois sua ambição única tornou-se a aventura do salvar almas e o seu amor a Jesus. Foi para o céu com 65 anos e lá intercede para que nós façamos o mesmo agora "com todo o coração, com toda a alma, com toda a vontade", repetia.
Santo Inácio de Loyola, rogai por nós!
31 de Julho
Inácio nasceu em Loyola na Espanha, no ano de 1491, e pertenceu a uma nobre e numerosa família religiosa (era o mais novo de doze irmãos), ao ponto de receber com 14 anos a tonsura, mas preferiu a carreira militar e assim como jovem valente entregou-se às ambições e às aventuras das armas e dos amores. Aconteceu que, durante a defesa do castelo de Pamplona, Inácio quebrou uma perna, precisando assim ficar paralisado por um tempo; desse mal Deus tirou o bem da sua conversão, já que depois de ler a vida de Jesus e alguns livros da vida dos santos concluiu: "São Francisco fez isso, pois eu tenho de fazer o mesmo. São Domingos isso, pois eu tenho também de o fazer".
Realmente ele fez, como os santos o fizeram, e levou muitos a fazerem "tudo para a maior glória de Deus", pois pendurou sua espada aos pés da imagem de Nossa Senhora de Montserrat, entregou-se à vida eremítica, na qual viveu seus "famosos" Exercícios Espirituais, e logo depois de estudar Filosofia e Teologia lançou os fundamentos da Companhia de Jesus. A instituição de Inácio iniciada em 1534 era algo novo e original, além de providencial para os tempos da Contra-Reforma. Ele mesmo esclarece: "O fim desta Companhia não é somente ocupar-se com a graça divina, da salvação e perfeição da alma própria, mas, com a mesma graça, esforçar-se intensamente por ajudar a salvação e perfeição da alma do próximo".
Com Deus, Santo Inácio de Loyola conseguiu testemunhar sua paixão convertida, pois sua ambição única tornou-se a aventura do salvar almas e o seu amor a Jesus. Foi para o céu com 65 anos e lá intercede para que nós façamos o mesmo agora "com todo o coração, com toda a alma, com toda a vontade", repetia.
Santo Inácio de Loyola, rogai por nós!
sexta-feira, 29 de julho de 2011
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Doação de sangue!
Olá Comunidade !
Hoje peço em nome da nossa Colega, Acolhedora: Tânia Lage.
O cunhado dela, Danilo vai fazer uma cirurgia no Hospital Biocor, na terça feirar e vai precisar de doação de sangue.
O nome dele completo é Danilo Mendonça Ribeiro.
Os telefones para agendar a doação são: 3289-5107 e 3289-5264(este segundo telefone é mais fácil), horário de atendimento: de 08 ás 16:30.
A doação é no banco de sangue do Hospital Biocor, não precisa marcar, só se for no sábado.
Contamos com vocês!
Hoje peço em nome da nossa Colega, Acolhedora: Tânia Lage.
O cunhado dela, Danilo vai fazer uma cirurgia no Hospital Biocor, na terça feirar e vai precisar de doação de sangue.
O nome dele completo é Danilo Mendonça Ribeiro.
Os telefones para agendar a doação são: 3289-5107 e 3289-5264(este segundo telefone é mais fácil), horário de atendimento: de 08 ás 16:30.
A doação é no banco de sangue do Hospital Biocor, não precisa marcar, só se for no sábado.
Contamos com vocês!
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Uma sugestão para rezar o Evangelho do próximo domingo.Um abraço a todos.Pe. Adroaldo sj
A COMPAIXÃO NOS HUMANIZA
“Ao sair do barco Jesus viu uma grande multidão. Encheu-se de compaixão por ela e
curou os que estavam doentes” (Mt. 14,14)
“Com-paixão”, palavra de etimologia latina, significa “padecer-com”, “sentir-com”, vibrar-com”, “afetar-se-com”... Seu equivalente, derivado do grego, seria a palavra “sim-patia”, termo ao qual se opõe diretamente o de “a-patia”, ausência de sentimentos, de vibração, de capacidade de proximidade...
Muitos se referem à compaixão como uma paixão, outros como uma emoção forte, outros ainda, como um sentimento...; mas todos coincidem em um ponto: ela tem a ver com nossa comum humanidade.
A compaixão nos situa em uma espécie de irmandade entre seres radicalmente iguais em sua humani-dade. É um dinamismo natural que expressa a bondade original do ser humano, a origem dos sentimen-tos altruístas.
A compaixão é força que impulsiona à ação; não se trata de uma relação de cima para baixo, de quem, a partir de uma situação superior e distante, faz concessões a quem lhe é inferior.
A compaixão é, antes de tudo, uma situação na qual prevalece a igualdade e dignidade básica e comum do ser humano; ela nos capacita a superar barreiras e condicionamentos que impedem uma vinculação frater-na entre as pessoas, para chegar a colocar-nos no lugar do outro e atuar por e para ele.
A compaixão é essa capacidade de sentir com o outro, particularmente o outro golpeado pelas circuns-tâncias da vida. È a valentia para compartilhar sua paixão, é participação imediata no seu sofrimento e buscar com ele a esperança, o alívio e a alegria.
Por isso o outro deixa de ser um estranho e se converte em próximo.
A compaixão é filha da humildade. De fato, a humildade significa descer em direção à nossa condição criatural e assumir nossa verdadeira condição humana.
Nesse sentido, a compaixão revela, ao mesmo tempo, algo profundamente humano e humanizante, mas também a miséria e a pequenez do coração humano. São nossas misérias comuns as que conduzem nossos corações para a humanidade. É enquanto frágeis e miseráveis que nos fazemos compassivos.
A compaixão não apresenta uma solução mágica e simples aos problemas, mas sim amplia nossa visão da realidade e enraíza nossas decisões e nosso compromisso com a justiça. Pois a compaixão é algo mais que um meio para combater o sofrimento alheio: ela impulsiona à abertura e permite colocar-nos no lugar ou na perspectiva do outro, hábito saudável no campo das relações humanas.
O sentimento que balizou e deu a tônica no exercício da atividade de Jesus é a compaixão.
A compaixão, que toma conta do seu coração, é fruto do corajoso deslocamento para a margem, para a necessidade do outro. Os Evangelhos destacam os profundos sentimentos de humanidade, compaixão, empatia, ternura e solidariedade misericordiosa de Jesus. Porque amou e foi amado, o coração de Jesus experimentou a alegria e a tristeza, a felicidade e a saudade, a ternura e o sofrimento...
Assim é o Seu coração: feito com as fibras da fortaleza e da coragem entrelaçadas com as fibras da compaixão e da ternura. Através de seus sentimentos Jesus revela o rosto humano de Deus.
Muitas vezes é mencionado que o Senhor foi “comovido até as entranhas” e teve “frêmitos de compaixão”; trata-se de sentimento eminentemente humano.
- tem compaixão da multidão “porque estava cansada e abatida” (Mt 9,35-38);
- diante de um leproso fica “movido de compaixão” (Mc 1,40-45);
- o mesmo em relação aos dois cegos de Jericó (Mt 20,29-3434);
- comovente é o gesto compassivo para com a viúva de Naim (Lc 7,11-17);
- a sensibilidade de Jesus encontra sua expressão mais forte no episódio de Lázaro. Suas lágrimas tradu-
zem um afeto terno e profundo, que brota de um coração tocado pela dor (Jo. 11,1-44)
Jesus não passa “friamente” por nada. Ele não passa friamente ao lado da fome, doença, angústia, morte... não passa friamente ao lado das multidões e das pessoas, sem horizonte e sem pastor.
Seu sentimento está sempre engajado: Ele é o homem da prontidão de sentimentos. Sente-se “tocado” pela dor e miséria humanas.
O sentimento de Jesus é “espontâneo”, que flui e jorra. Ela é ampla e abraça tudo (lírios, aves do céu, crianças, pecadores, multidão...)
O sentimento de Jesus é “seguro”; nele não notamos hesitação ou vacilação alguma; esta segurança é designada pela expressão “agir com autoridade”.
A compaixão esvazia toda pretensão de poder, pois ela projeta a pessoa para o outro, torna a pessoa sensível ao clamor e às necessidades do outro. A compaixão rompe a couraça do “eu” constituída pelo poder. A vida do outro é a razão única da autoridade.
O outro, sua necessidade e sofrimento, será sempre a alavanca que gera no coração humano a compre-ensão e o exercício da autoridade como verdadeiro serviço.
Só a compaixão desloca cada um para o lugar do outro. Só a compaixão ilumina a realidade do sofri-mento do outro. Só a compaixão move na direção da oferta do outro.
A compaixão é a entrada do ser humano no mundo do humano; ela é o perfume do humano que invade a humildade da vida, a sua fragilidade e sofrimento, e torna operativo o processo de humanização.
Portanto, a com-paixão implica dois momentos.
O primeiro é de despojamento, que envolve o esquecimento de si mesmo e dos próprios interesses para concentrar-se totalmente no outro. Importa “ver” o outro como outro e não como prolongamento de si mesmo ou do círculo do seu eu.
O segundo momento é de cuidado, que se expressa pela saída de si em direção ao outro e se traduz em solidariedade, em serviço e em hospitalidade para com o outro.
Com-paixão comporta assumir a mesma “paixão” do outro; ou seja, sofrer com quem sofre.
Mas também alegrar-se com quem se alegra. Implica co-mungar, caminhar juntos, com-viver, oferecen-do-se mutuamente o ombro e dando-se as mãos.
Num mundo em que o anonimato impera e uma falta de compromisso com o outro parece predominar, talvez a compaixão comece pela capacidade de fixar o olhar nos rostos, desmontando os pré-juizos, ou pela possibilidade de perguntar ao outro por sua vida, seus sonhos, suas preocupações, seus desejos e sua dor. Procurar entender seus motivos sem passar logo a interpretá-los, a etiquetá-los ou a julgá-los. Aprender a escutar suas histórias e a acompanhar suas inquietações.
Enfim, uma atitude de abertura e a disposição a uma comunicação profunda.
Texto bíblico: Mt. 14,13-21
Reportagem do Jornal de Pará de Minas sobre a Ordenação do Geraldo.
Jesuíta patafufo será ordenado amanhã, no santuário
08/07/2011
Ainda neste mês acontecerá uma importante cerimônia religiosa em Pará de Minas, mas poucos pará-minenses sabem. Trata-se da ordenação de um religioso de uma das mais importantes e conhecidas ordens da igreja Católica, a Companhia de Jesus, fundada em 1534 e que se tornou muito conhecida historicamente por ter sido a principal ferramenta na Contra Reforma, o movimento reacionário à Reforma Protestante. Fora isso, foi também a responsável pela catequização dos índios brasileiros e pela implantação do cristianismo no Brasil. Atualmente, os jesuítas formam a maior ordem religiosa da Igreja Católica, contando com 19.216 membros espalhados por 112 países e 6 continentes. Apesar dessa ordem não está presente na cidade, o futuro padre jesuíta pará-minense, Geraldo Lacerdine Américo, 34, escolheu sua terra natal para se tornar oficialmente um religioso. Filho de Luzia Lacerdine e Antônio Américo, Geraldo reside em São Paulo/SP de onde se prepara para a ordenação que acontecerá amanhã, sábado, dia 9, no Santuário da Piedade, a partir das 19 horas. Enquanto isso, ele divide seu tempo entre orações, estudos e a profissão de jornalista que ele desempenha dentro da ordem. Como não poderia deixar de ser, a reportagem GP entrou em contato com o jesuíta pará-minense que falou com exclusividade de sua vida, sua vocação e sobre a ordem. Confira os melhores momentos.
“Nasci em Pará de Minas, mas ainda pequeno, 6 anos, minha família foi morar em um sítio chamado Rozio que tinha sido de meu avô, homem do campo. Tive uma excelente infância, correndo pelas pastagens verdes do sítio de meus pais. Por não ter brinquedos, a vida me obrigou a ser criativo. As minhas invenções eram mirabolantes: de foguetes intergalácticos a submarinos blindados de sal. Coisa de menino! Dividi infância com meu irmão mais novo que acompanhava minhas proezas em risos e brigas intermináveis”, relembra o jesuíta Geraldo.
QUERIA SER PADRE? - “De jeito algum, isso não fazia parte do meu horizonte! Aos 17 anos, me deparei com a necessidade de justificar a minha vida. Contudo, desejava uma profissão que pudesse ajudar as pessoas. Pensei em ser médico, até fiz o vestibular na UFMG, quando passei na 1ª etapa, mas fui reprovado na 2ª. Minhas indagações continuavam: Para que eu existia? Para quem? Que diferença eu fazia no mundo e na vida das pessoas? Qual era o sentido do trabalho que eu realizava e do dinheiro que ganhava, entre outros questionamentos. Foi nesse contexto de crise que recebi um convite para participar um voluntariado juvenil no sertão mineiro. Não pensei duas vezes... larguei emprego, família e tranquei matrícula na faculdade. Parti para uma aventura totalmente nova que poderia me dar respostas. Passei 6 meses vivendo, trabalhando e comendo com os pobres. Essas pessoas viviam abaixo da linha de pobreza, tendo, muitas vezes, apenas uma refeição diária. Confesso: minha família nunca foi rica, mas nunca sentimos falta de nada e nem fome. Ali, naquele lugar, vi gente que sofria dores de fome, de abandono... de tudo. Foi nesse lugar, vivendo, trabalhando, sofrendo, rindo, confraternizando com esse povo, que senti, pela 1ª vez, o desejo de ser padre. Não para resolver os problemas que eles tinham, mas para escutar, para mostrar a eles a dignidade perdida pela exclusão, para ajudá-los a perceber o imenso amor que Deus manifestava no Cristo, por razão deles. Senti fortemente no Cristo o desejo de ser como Ele, no meio do povo”.
MÚSICA E RÁDIO - “Quando voltei a Pará de Minas eu tinha claro o que eu queria fazer da minha vida. Só necessitava aprender mais, saber mais sobre Cristo, sobre a vida, o povo... eu tinha ânsia por aprender para ensinar e viver com mais qualidade. Eu era um típico jovem que vai à missa para ficar na porta da igreja flertando com as meninas. Também ajudava em algumas manifestações pontuais como o teatro de Semana Santa, festas, etc. Tudo isso até descobrir a música. Foi ela quem me levou para dentro da Igreja, de uma maneira muito mais atuante e forte. A música revelou a mim uma linguagem totalmente nova, onde Deus se comunicava por meio dela. Em um 1º momento, fui para o seminário da Diocese em Divinópolis/MG, onde fiquei por um ano. Contudo, percebi que não era essa a vida que eu buscava, diante de minha 1ª experiência no sertão mineiro. Daí, saí do seminário, voltei a Pará de Minas decidido a estudar e trabalhar. Aí, fiz vestibular de Comunicação na UFMG, passei e arranjei trabalho na Radio Espacial, onde trabalhei por uns dois anos como locutor com o pseudônimo de Dinho Ferraz, sugerido pelo colega de trabalho Ailton Santos. Durante esse tempo, conheci os jesuítas e o trabalho que eles desenvolviam no mundo, através de um grande amigo: padre Geraldo Meneses. Quanto mais eu lia, mais eu me encantava pela missão destemida desses homens. O principio básico da missão dos jesuítas é: “Homens bem formados nas artes e nas letras para melhor servir na missão de Cristo”. Esse principio torna a missão muito diversificada e aproveita o que o jesuíta, em particular, pode fazer de melhor no campo da Antropologia, Ciência, Medicina, Direito, Teologia, Filosofia, Artes, Sociologia, Pedagogia e Espiritualidade, entre outros. Os campos principais de atuação hoje são: trabalho com refugiados, apostolado intelectual, apostolado social (África, China, Índia, América Latina, etc), educação (universidades, colégios, centros de reflexão de fé e cultura), educação popular, paróquias, missões e além fronteiras”.
DISPONIBILIDADE - “Atualmente, sou responsável pela comunicação da Companhia de Jesus no Brasil. Gerencio o Núcleo de Comunicação, com sede em São Paulo/SP, onde trabalham 50 profissionais da área. Ajudo na formação de jovens no Anchietanum (casa de formação juvenil da Cia. de Jesus) e ministro os sacramentos na paróquia São Luis. É assim o meu dia a dia: às 6H30, faço uma hora de natação e uma hora de oração pessoal; às 8H30, trabalho no Núcleo de Comunicação; às 18H celebro a missa; das 19H30 às 22H40, tenho aula de mestrado na Escola Superior de Propaganda e Marketing. Na Companhia de Jesus tenho que estar disponível a qualquer tipo de missão que a Igreja queira me confiar. Sou especialista em comunicação, mas se há necessidade de outros trabalhos em qualquer parte do mundo, estou disponível. Esse é o fundamental de minha vocação: ir para qualquer parte, onde Deus e a Igreja queiram me enviar. Em lugares de fronteiras, aí está o jesuíta”.
POR QUE AQUI? – “A cerimônia de ordenação é belíssima! E o significado que isso tem para minha vida a faz ainda mais bela, pois é uma oportunidade de reunir todas as pessoas que me acompanharam nesses 12 anos de preparação para o sacerdócio. Acredito que será emocionante compartilhar esse momento com a comunidade dos cristãos local. Eu costumo dizer que é um momento perfeito para dividir um pedaço de mim com as pessoas que eu amo e com o povo de Pará de Minas. Afinal, é a cidade onde nasci, cidade que amo e onde estão minhas raízes profundas. É aqui que eu me encontro e me fortaleço, ao lado dos amigos, família e do povo pará-minense. Acredito que Pará de Minas melhorou em vários aspectos, desde que me mudei daqui (estrutura urbana, transporte, lugares públicos, etc.). Adoro essa cultura da gentileza que o povo daqui desenvolveu: a parada dos motoristas na faixa de pedestre, o ajudar as pessoas que carregam embrulhos, o dar lugar aos idosos, etc. Tudo isso é muito bacana! Outra coisa que gosto muito por aqui é a acolhida e a hospitalidade do povo pará-minense. Aqui, sempre se tem aquela boa impressão de estar em família”!
sexta-feira, 22 de julho de 2011
quinta-feira, 21 de julho de 2011
quarta-feira, 20 de julho de 2011
NO “CHÃO DA VIDA” ESTÁ ESCONDIDO NOSSO VERDADEIRO TESOURO
“Do seu ferimento a ostra faz surgir uma pérola.
A dor que a dilacera, ela a transforma em jóia” (Richard Shanon)
O conto das 3 falas
“O herói, um menino tolo, é enviado ao mundo pelo pai a fim de aprender alguma coisa. Por três vezes ele volta para casa e, quando o pai pergunta o que aprendeu, ele responde da primeira vez: - “pai, aprendi a fala do latido dos cães”;
da segunda vez: - “pai, aprendi a fala do canto dos passarinhos”;
e da terceira vez: “pai, aprendi a fala do coaxar das rãs”.
O pai fica extremamente aborrecido, porque não sabe o que fazer com esta arte.
O menino parte, então, em peregrinação e chega a um castelo onde deseja pernoitar. Mas o dono do castelo só tem lugar para ele no porão da torre, onde moram os cães selvagens que já devoraram mais de uma pessoa.
Mas o menino é corajoso; ele leva alguma coisa para comer e não tem medo de descer à torre.
Lá ele fala amigavelmente com os cães ladradores. E estes lhe revelam que só são ferozes assim porque são os vigias de um tesouro. E mostram-lhe o caminho para o tesouro, e ajudam-no a desenterrá-lo”.
Só podemos encontrar o tesouro dentro de nós se descermos ao chão de nossa torre. É normal que nós nos surpreendamos frente a frente com um “eu” desconhecido, temido ou reprimido há muito tempo.
O caminho para o nosso tesouro passa pelo diálogo com os “cães ladradores”, com nossas paixões, com nossos problemas e fragilidades, nossas angústias e nossas feridas, com tudo quanto ladra dentro de nós e consome nossa energia. A espiritualidade cristã nos mostra que exatamente em nossas feridas nós desco-brimos o tesouro do nosso verdadeiro “eu” escondido no fundo de nosso coração.
“Lá onde nós fomos feridos, onde nos quebramos, aí nós também nos abrimos para Deus” (H. Nouwen)
Tradicionalmente, fomos coagidos a viver uma espiritualidade que nos ensinou a “prender os cães” na torre e a levantar junto dela um edifício de “grandes ideais”.
E com isto, passamos a viver constantemente com medo de que os cães pudessem fugir e nos devorar.
Com isso nos excluímos do prazer de viver, porque tudo é reprimido.
Sabemos que tudo quanto nós reprimimos nos faz falta à nossa vida. Os “cães ladradores” tem muita força. Quando os prendemos, fica nos faltando a sua força, de que temos necessidade para o nosso cami-nho para Deus, para nós mesmos e para os outros. Somos obrigados a fugir de nós mesmos, ficamos com medo de olhar para dentro de nós, pois poderíamos correr o risco de nos deparar com os cães perigosos. Quanto mais os amarramos, tanto mais perigosos eles se tornam.
No nosso caminho espiritual, o que importa é ter a coragem de entrar na torre e dialogar amigavelmente com os “cães ladradores”. Então eles irão nos conduzir ao chão e nos mostrar onde o tesouro está enterrado. Os cães ferozes poderão até nos ajudar a desenterrar o tesouro.
Este tesouro pode ser “uma nova vitalidade e autenticidade, um sonho ousado, uma intuição, um dom especial, o encontro com o verdadeiro eu, a imagem que Deus faz de cada um de nós...”
“Entrar na torre” significa “buscar e encontrar a Deus” exatamente em nossas paixões, em nossos traumas, em nossas feridas, em nossos instintos, em nossa impotência e fragilidade... Ali podemos nos interrogar o que é que Deus deseja nos revelar por meio deles, e como justamente através deles, Ele dese-ja nos conduzir ao tesouro no chão de nossa vida.
“Descer” para o fundo do porão é a oportunidade para descobrir regiões novas e novos horizontes, para conhecer o reino interior, para encontrar a riqueza interior e assim experimentar a transformação.
O caminho para uma nova qualidade de vida passa pela descida ao fundo do próprio porão.
Isso requer coragem para passar por todas as regiões sombrias e chegar ao fundo. Mas essa descida nos possibilita descobrir um mundo diferente que não conhecíamos, ou que havíamos perdido.
Lá no fundo, encontra-se um bem precioso que podemos levar conosco, que nos ajuda em nosso cami-nho e que nos faz totalmente íntegros e sãos.
É preciso “descer” até o fundo para descobrirmos uma nova riqueza para a nossa vida; é “descendo” que poderemos revitalizar a vida que se tornara vazia e ressequida.
Trata-se de despertarmos, de escavarmos, de avançarmos em direção ao “veio de ouro” e de sabermos que este não é nossa propriedade; ele nos é oferecido com dom.
Não basta falar de “pedra preciosa”, é também necessário “escavar” nosso “chão interior”, alargar nosso coração, garimpar em direção às riquezas que estão no eu mais profundo, assim como o “fio de ouro” no meio dos cascalhos.
Cada um de nós possui uma fonte inesgotável de qualidades-habilidades; podemos dizer: “somos um presente”, um valor para os outros. A vida sempre está oculta nas profundezas. A pessoa superficial é aquela que se confunde com suas idéias, coisas... A pessoa do “eu profundo” é aquela que vive a partir da raiz, da fonte mesma da vida, e deixa vir à tona todas as suas riquezas, dons, capacidades...
É no coração que existem, em abundância, os aspectos positivos de nossa personalidade, os talentos naturais e as boas tendências. Aí se aninham imensas riquezas que se exprimem de maneira diferente, dando a cada um, uma fisionomia própria, um caráter único.
Esta região profunda coincide com o mundo das certezas, dos valores, das idéias-força... que formam o eixo da nossa existência, o melhor de nós, o lugar de nossa recuperação e de nossa realização, o positivo que nos solicita continuamente a nos tornar o que devemos ser.
A força da transformação nós não a encontramos onde vivemos ou distante de nós, mas sim, lá embaixo.
Para buscar o que há de riqueza no profundo de nós mesmos, podemos imitar, simbolicamente, os hábitos dos pescadores de certo atol do Pacífico. Eles vivem pauperrimamente sobre uma terra desprovida de vegetação e açoitada pelos ventos; mas o fundo do seu mar é muito rico em pérolas.
Desenvolveram aí aptidões excepcionais para o mergulho; descem sem qualquer aparelho, ao fundo do mar, localizam as pérolas, arrancam-nas, trazem-nas para a superfície, atiram-nas no barco, para depois mergulharem de novo.
Este é o caminho da espiritualidade que brota do húmus: “descer” até o fundo, mergulhar nas regiões mais sombrias onde estão escondidas as pérolas que dão significado e sentido às nossas vidas.
Assim deveríamos mergulhar livremente no nosso próprio “eu profundo”, para aí descobrir as riquezas pessoais, trazê-las à tona e colocá-las a serviço dos outros, multiplicando-as.
É preciso “des-velar” nosso “eu profundo”, o lugar onde habitam os aspectos benéficos da nossa personalidade, as boas tendências, as qualidades positivas, os dons naturais, as riquezas do ser, as beatitu-des originais, as aspirações de grande fôlego, as idéias-força, os dinamismos da vida...
O “tesouro do ser” (certezas, intuições, projetos, valores...) ainda que pareça esquecido, permanece armazenado em sua mensagem essencial, e pode tornar-se a força que orienta toda a vida, a sabedoria da própria vida, um lugar de fecundidade, de criatividade, fonte de renovação...
Dentro de nós temos forças construtivas que podem mudar-nos eficazmente. E é preciso dar-lhes curso, não ocultando-as e nem desprezando-as, mas deixando-as aflorar espontaneamente.
Ter identidade é viver em contato com as riquezas que nos sustentam. Em contato com o tesouro e na viagem para dentro, clareia-se a visão de nós mesmos, da nossa originalidade e dignidade.
Há uma força de gravidade que nos atrai progressivamente para o mais profundo de nós mesmos, onde Deus nos espera e nos acolhe, e onde encontraremos a nosso “eu original” e a verdadeira paz.
“Que eu me conheça e que te conheça, Senhor! Quantas riquezas entesoura o homem em seu interior!
Mas de que lhe servem, se não se sondam e investigam” (S. Agostinho)
Textos bíblicos: Mt. 13,44-46 Is. 45,1-7 2Cor. 4,7-13
Na oração: Para realizar-se e desenvolver toda a sua potencialidade, busque, na oração, cavar mais profunda-
mente, até atingir as raízes de seu ser, o núcleo original de sua personalidade.
Diante da presença de Deus, esteja aberto ao contato com a própria realidade interior, para que venha à superfí-cie aquilo que o sustenta e dignifica o seu viver.
Dirija seu olhar para o mais íntimo de si, onde nascem sentimentos e valores, decisões e gestos... onde você é convidado a se alegrar com os rastros da Graça.
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