segunda-feira, 22 de abril de 2013

Retiro Espiritual Inaciano.




 
Prezado(a) Sr(a). Responsável,
 
Termina, nesta quarta-feira, o período de inscrições para o Retiro de Iniciação que será oferecido em quatro etapas pela comunidade jesuíta do Colégio Loyola em Vila Fátima-Pampulha, ao longo de 2013. O período de inscrições para o Retiro de Aprofundamento prossegue até o dia 7 de maio. Os interessados em participar deverão procurar a Fabiana, secretária da Diretoria Geral, pelo endereço eletrônico fabiana.fonseca@loyola.g12.br ou pelo telefone 2102-7048.
 
Os retiros espirituais inacianos são ricas oportunidades para parar e, em silêncio, perceber e assumir, de forma mais consciente e comprometida, a existência diante de Deus.
 
O Retiro de Iniciação acontecerá em quatro fins de semana, dormindo em casa ou na Vila, passando todo o dia retirado, rezando e discernindo a vontade de Deus. O Retiro de Aprofundamento é voltado para quem já passou pelas etapas de iniciação em 2011 e em 2012. olaPara este, serão duas oportunidades, com dinâmica semelhante. Ao todo, são oferecidas 40 vagas para o Retiro de Iniciação e 20 para o de Aprofundamento, sendo que, no segundo, há necessidade de pernoitar em Vila Fátima.
 
Os valores da taxa de inscrição para o primeiro são: R$120, sem pernoite, e R$160, com pernoite. Para o segundo, o valor é R$225, incluindo necessariamente o pernoite.
 
Veja datas e etapas dos Retiros Inacianos abaixo (início às 20h e término às 16h):
 
Iniciação
1ª etapa – 03 a 05/05
2ª etapa – 28 a 30/06
3ª etapa – 27 a 29/09
4ª etapa – 01 a 03/11
 
Aprofundamento (para quem já realizou a iniciação em 2011 ou em 2012)
1ª oportunidade – 14 a 16/06
2ª oportunidade – 15 a 17/11
 
Cordialmente,
Colégio Loyola

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Imperdível !!!


Sugestão para rezar o Evangelho do próximo domingo.


“A INSUPERÁVEL LEVEZA DA ESCUTA”

 

“As minhas ovelhas escutam a minha voz...” (Jo. 10,27)

 

Tudo começa com a escuta; por sua vez, só escuta quem se encontra numa atitude de busca. Quem crê estar em posse da verdade, deixou de buscar; blindado a qualquer questionamento, permanece instalado na “zona de conforto” de sua comodidade.

A pessoa que se põe em movimento, começa escutando. A escuta requer uma disposição de abertura inicial, que implica flexibilidade para permitir inclusive que as convicções prévias possam ser removidas. A escuta revela seus próprios segredos para quem sabe desnudar-se nela.

Quando aquilo que “escutamos” encontra eco em nosso interior, reconhecemos estar em contato com nosso eu verdadeiro e em profunda “sintonia” com a pessoa que nos fala. Isto é o que acontecia com os seguidores de Jesus e o que continua acontecendo com os leitores do evangelho: ao perceber que a pala-vra de Jesus “lê” nosso interior, a reconhecemos como própria e “comungamos” com sua pessoa, na vida de uma unidade que transcende o tempo e o espaço.

 

Segundo os antigos, “fides ex auditu”, a fé vem pelo ouvido e por isso Jesus nos convida a aguçar a nossa escuta: “Quem tem ouvidos para ouvir que ouça”.

Na Sagrada Escritura, o exercício do ouvido, a escuta, é prerrogativa tanto de Deus como do ser humano.

O próprio Deus deixa-se perceber pelo ouvido; faz-se “audível” para o ser humano.

É Deus mesmo que abre cada manhã os ouvidos dos discípulos e os torna atentos para a escuta.

Em toda Palavra de Deus existe sempre um dinamismo que nos desnuda e nos traz à nossa verdade origi-nal. Voltar a escutar é voltar a ser criança.

Retornar a esta atitude básica tão bela que é a admiração, a capacidade de assombro...,  primeira virtude necessária para que o Evangelho nos chegue em toda a sua inesgotável força de surpresa desconcertante.

Tudo é palavra e silêncio. Tudo no universo vibra, emite, transmite, fala, vive.

E ao mesmo tempo tudo é escuta  e percepção.

Deixar Deus ser Deus e deixar que o outro seja sempre uma surpresa.

Permitir que cada realidade fale para nós sua própria linguagem. Isso é ter ouvidos para a escuta.

 

Dentre os seres vivos criados por Deus, o ser humano é o único capaz de escutar e de falar, porque é o único criado à imagem e semelhança d’Ele, d’Aquele que é a Palavra cheia de verdade e a escuta cheia de amor. “Deus é a Palavra suprema e o Silêncio infinito”.

É importante progredir pelo caminho do silêncio, em que a pessoa se educa na escuta autêntica, que é aúnica capaz de nos conduzir ao puro amor. Porque o grau supremo da escuta é o silêncio cheio de amor.

 

No meio da gritaria ensurdecedora do mundo moderno como sintonizar na onda da Voz do Bom Pastor? Como distinguir, no meio de tantas vozes, aquela VOZ verdadeira que não fala aos ouvidos, e sim aos corações?

 

Carlos Vallés sj, missionário na Índia, nos apresenta um simbolismo, tirado da cultura hindu, na arte do discernimento, para distinguir e seguir a verdadeira Voz do Mestre:

A flauta é o som suave, o toque leve, o sopro delicado... e as notas que dançam nas asas da brisa. A selva de Vindravan, onde Deus mora, é vasta e densa e a cada momento é cruzada em todas as direções por cantos de mil pássaros e pelos rugidos das feras, pelo trovão na tormenta e pelo farfalhar das folhas tangidas pelo vento. Símbolo gráfico do mundo e da vida, com seus cuidados e preocupações, suas distrações e falsos chamados que afogam as pulsações do coração nos ruídos da existência. Muitos viajantes cruzam a selva. Muitos homens atravessam o bosque dos ruídos.

Alguns vão tão depressa que não ouvem nada, outros tremem ao ouvir o rugido do tigre ou o silvo da serpente, outros seguem o som de vozes humanas para chegar ao povoado mais próximo. Outros se perdem. Outros morrem sem saber para onde iam. Outros dão voltas e mais voltas, de uma voz a outra, de um caminho a outro.

Mas para aqueles que tem ouvidos para ouvir e amor para querer ouvir há outro som, suave, mas agudo, que atravessa todos os demais sons, chega aos ouvidos e entra no coração com uma mensagem e um chamado diferente: a flauta. Ela é o símbolo, o instrumento e a companheira fiel de Deus. Brincalhona, insistente, inconfundível, exigente, carinhosa. Traz alegria e música e, sobretudo, um sentido e direção. O som vem de algum lugar. E é ali que está Deus.

Cada dia num lugar diferente, numa direção inesperada, para que a “alma” esteja sempre alerta, atenta e disposta a partir. Aquele que escuta a primeira nota, deixa o que estiver fazendo e salta, corre, voa na direção do som e tira forças do desejo e chega à plenitude. Isto é discernimento: a capacidade de distinguir o SOM da flauta entre todos os outros sons. E sua base é o AMOR.
 
 

 

Vivemos mergulhados num mundo de vozes; um “vozerio” nos cerca: vozes que nos levam à morte, vozes que nos chamam à vida; vozes contaminadas pelo egoísmo, adulteradas pelo medo, deturpadas pela impureza, e vozes que são o eco do paraíso convidando para a festa, comunicando paz, convocando à comunhão... É possível que as vozes do egoísmo, do orgulho e da ambição tentem se disfarçar em voz de Cristo, a fim de arrastar-nos para o vazio e a ruína. Mas o Pastor verdadeiro não fala por ruídos, e sim pelo silêncio; não fala pela força dos pulmões, e sim pelo vento suave de seu Espírito...

Para escutá-la requer-se interioridade e atenção aos sinais de sua presença: pode ser a voz de um irmão pedindo socorro; pode ser a linguagem de um acontecimento alegre ou triste; pode ser uma palavra lida ou proclamada; pode ser uma inspiração misteriosa captada no silêncio...

Na arte do discernimento das vozes, o importante é, através da escuta interior, perceber de onde vem e para onde nos conduz cada voz que ressoa em nós. Se ela nos conduz  para o outro, para o Reino...é clara manifestação da voz do Pastor.

 

Texto bíblico:   Jo. 10,27-30

 

Na oração: Inimiga número um da escuta é a pressa e a ansiedade que ela costuma trazer consigo.

                    A oração, por si mesma, é uma rebeldia contra a pressa dominante: uma oração mesclada de silêncio profundo, de respeitosa contemplação, isto é, de verdadeira escuta.

A voz do Pastor não se dirige à multidão anônima, mas é chamado pessoal: cada um tem rosto e nome.

                         - Que voz estou seguindo?

Tomo consciência daquilo que obstrui os meus ouvidos e os torna “incapazes de prestar atenção” (Jer. 6,10)

Tomo consciência da superficialidade diante da voz da consciência e da incapacidade de escutar o outro, fazendo ressoar a sua voz no meu coração. Tomo consciência de todas as mensagens negativas que transformaram, seduziram e enganaram meus ouvidos, tornando-os surdos às mensagens celestes, à Pala-vra da verdade e da vida.

 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Amigos e amigas, segue sugestão para rezar o evangelho do terceiro domingo de Páscoa. Um abraço a todos Pe. Adroaldo sj



À BEIRA-MAR, JUNTO AO FOGO

“Quando saltaram em terra, viram brasas acesas, tendo por cima peixe e pão” (Jo. 21,9)

“Não há nada mais permanente que a mudança na vida”. Mudanças são a essência e o sabor da vida. O ser humano é um ser em mudança: ela é o elemento que traz energia, variedade, surpresa, côr e vida à vida. A mudança é vida.
Mas, com o passar dos anos, buscamos segurança e a mudança se revela incômoda. Não obstante, fechar-se à mudança é abrir-se à morte em vida, porque a vida é abertura à novidade do encontro com o outro.
O que mudou na cotidianidade pós-pascal da comunidade? Aparentemente, tudo voltou à norma-lidade da vida corriqueira.

Nos relatos das aparições de Cristo Ressuscitado, à primeira vista parece que a situação não tinha muda-do. Os apóstolos tinham perdido sua condição de seguidores, tocaram fundo na insatisfação que a morte lhes produziu e atrofiaram o sonho no qual acreditavam que estava fundada sua vida.
O relato da última aparição de Jesus ressuscitado aos seus discípulos tem uma cena belíssima. Novamen-te junto à praia e entre redes, como no começo; o vazio, o abandono, a solidão, a escuridão da noite, a rotina de um trabalho cansativo e ineficaz, dominam a paisagem do texto; novamente a dureza de cada dia, em um cotidiano sem a presença de Jesus. Alguém estranho, muito cedo, da margem do lago, atreve-se a provocar, fazendo uma pergunta onde mais doía: “tendes alguma coisa para comer?”
O convite de Jesus: “Lançai a rede à direita do barco!” significa, como todos os seus convites: mudem de atitude, pesquem de maneira diferente, busquem outros lugares, saiam da rotina, sejam cria-tivos... Também para lançar a rede existem dois lados: um lado conhecido e rotineiro; e outro lado alter-nativo e novo. Revendo o passado, os discípulos reconheceram que estavam trabalhando no lado errado, determinado por uma tradição que não os deixava crescer.
A nova consciência transforma tudo. A vida ganha a plenitude da rede, torna-se vida em abundância.

A presença do Ressuscitado muda por completo o panorama de suas vidas: estavam tristes, cheios de medo e, de repente, se convertem em homens valentes, cheios de entusiasmo, de esperança, pondo-se a pregar e a dar testemunho em meio a todas as dificuldades.
É a presença do Ressuscitado no meio deles que traz alegria, paz, perdão, sentido...
Nas aparições do Ressuscitado se reitera a experiência de passar da tristeza a uma alegria profunda que permite voltar com entusiasmo à missão. Aparentemente, a situação dos discípulos não muda, mas eles mudam radicalmente porque recuperam a confiança no Mestre e em suas promessas.
O novo não está na novidade dos fatos, mas no olhar novo sobre aquilo que aconteceu entre aqueles que seguiam Jesus. O novo olhar da fé abre, na realidade transfigurada, o caminho da missão. O peixe não é mais um simples peixe. Pelo encontro com Jesus, revela um significado novo e aponta para a fecundidade da vida cotidiana.

No retorno à praia encontram algumas brasas, que recordam aquela fogueira em torno à qual, alguns dias antes, o velho pescador Pedro jurou não conhecer Jesus, negando-o três vezes. Agora, junto ao fogo ir-mão, Jesus lavará com misericórdia a fraqueza de Pedro, transformando para sempre seu barro frágil em pedra fiel.
O verdadeiro milagre não é uma rede que se enche, mas a traição covarde que se transforma em confissão de amor. Até três vezes Pedro confessará, indicando que é a única coisa importante; três vezes para signi-ficar que Jesus não tem outra pergunta, pois tudo se decide no amor.
As perguntas de Jesus, no evangelho de João, são pedagógicas e terapêuticas.
A cura das feridas emocionais é antes de tudo um caminho novo, que envolve afeto, amizade.
Ele não pede propriamente informações, mas dá às pessoas, por meio de suas perguntas, a oportunidade de reconhecer a sua situação existencial.
A vida de Pedro muda quando Jesus faz aquela pergunta tão desconcertante: “tu me amas?”
A pergunta é uma oportunidade de responder espontânea e sinceramente a si mesmo, resposta sem culpa e sem medo. A traição desumanizou Pedro, fez com que ele chegasse ao fundo de sua miséria.
Esperaríamos perguntas de admoestação, de deploração... No entanto, Jesus o interpela sobre o amor.
O Pedro que emerge deste contato terapêutico com o Ressuscitado é um Pedro corajoso, decidido, mas também muito mais amoroso, capaz de superar preconceitos antigos.
O amor de Jesus, sua graça sempre pronta, o humanizará de novo, até re-estrear sua verdadeira vida. Sem ironia, sem indiretas, sem pagamento de contas atrasadas. Gratuitamente, assim como a própria graça.
A proposta de Jesus muda nosso modo de encarar as relações de ajuda e cuidado, pois está baseada no afeto. A pescaria do lago Tiberíades aponta para a missão; o pastoreio cobrado a Pedro já aponta para os futuros cuidados “pastorais”. O pastor precisa de um olhar amoroso que vai além de seu curral; o pesca-dor precisa de um olhar apurado para fazer a travessia em direção da outra margem.
A comunidade eclesial vive ao mesmo tempo a pescaria e o pastoreio, a missão em alto-mar e o cuidado pastoral em terra firme. Juntar as ovelhas e guardar os peixes são tarefas permanentes da Igreja.
O dom da rede cheia do pescador, no fim da noite, torna-se tarefa para o dia do pastor: discernimento, cuidado, partilha, testemunho, anúncio. “Sede pastores com o ‘cheiro das ovelhas’” (papa Francisco).
Ao entardecer, ele se torna novamente pescador e sai da terra firme para o mar.
Há muito que ver no mar de Tiberíades, mas nem todos os olhares poderão acolher o que ali acontece. Há olhares opacos que não se alegrarão, olhares desconfiados que não o entenderão, olhares frios que não vibrarão com a novidade de uma simples refeição... Somente os olhares dos pobres e pequenos se admi-rarão, e a paz do coração será sua recompensa.
“Ver de novo”, ver outras coisas diferentes daquilo que estamos acostumados a ver é também “nascer de novo”. É preciso despertar o “pastor interior” que há em nós, nossa capacidade de atenção à vida, de buscar com outros, de deixar-nos surpreender diante da presença despojada de Deus. 


Texto bíblico:  Jo. 21,1-19

Na oração: No nosso mundo existem muitas fogueiras e lugares
                    em que Deus e os irmãos são traídos e, portanto, desumanizados, quebrados. Mas há outras brasas, aquelas que Jesus prepara ao amanhecer das nossas escuri-dões e depois das nossas fadigas, e nela nos convoca, em comunidade nova, transformando-nos em humanidade diferente. Lá, nos permite encontrar nossa verdadeira identidade e nossa missão: o cuidado do rebanho.
Feliz quem tiver olhos para reconhecê-lo, como João, e quem se deixar renascer, como Pedro.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Amigos e amigas, segue sugestão para rezar o 2o. dom. da Páscoa. Um abraço a todos Pe. Adroaldo sj



“CREIO NA RESSURREIÇÃO DA COMUNIDADE”

“Oito dias depois, achavam-se os discípulos, de novo, dentro de casa, e Tomé com eles” (Jo. 20,26)

Após a execução de Jesus, os discípulos se refugiam em uma casa; anoitece em Jerusalém e também em seus corações. Ninguém os pode consolar de sua tristeza e desolação. Pouco a pouco, o medo vai se apoderando de todos; a única coisa que lhes dá certa segurança é “fechar as portas”. Estão reunidos, escondidos, polarizados na frustração, concentrados no doloroso, desconfiados de tudo e de todos.
Na comunidade reina um vazio que ninguém pode preencher; também eles estão mergulhados na morte, literalmente vivendo numa “casa sepultura”: sem futuro, sem sonhos...
Mas é nesse ambiente carregado e pesado que Jesus, “ressuscitado de tanto viver”, marca sua presença, despertando a vida e ressuscitando as esperanças de seus amigos mais íntimos. E a primeira coisa que Ele faz é comunicar a sua paz à sua comunidade. Nenhuma acusação por tê-lo abandonado, nenhuma queixa nem reprovação. Presença calorosa, carregada de bênção e ternura. Sua presença devolve a alegria, a capacidade de amar, a espontaneidade, a vitalidade, o entusiasmo, a experiência incontida da luz que não se pode esconder.

Por isso, a chave de todas as “aparições”, relatadas nos Evangelhos, é a que Jesus faz à comunidade reunida. A experiência pascal dos seguidores de Jesus demonstrou que é na comunidade onde se pode descobrir a presença do verdadeiro Jesus. A comunidade é a garantia da fidelidade a Jesus e ao Espírito. Mas, sobretudo, é a comunidade aquela que recebe a missão de anunciar a Ressurreição.
O evangelista João é aquele que mais desenvolve o relato da aparição aos apóstolos. Com isso persona-liza em Tomé o tema da dúvida, que é capital em todos os relatos das aparições. Separado da comunidade, Tomé não tem a experiência de Jesus vivo. Ao integrar-se na comunidade agora ele pode experimentar o que os outros lhe contaram e ele não acreditou. Mais uma vez se destaca a importância da experiência partilhada em comunidade.

A mensagem dos relatos das Aparições é muito clara: sem uma experiência pessoal, vivida no seio da comunidade de fé, é impossível ter acesso à nova Vida que Jesus anunciou antes de morrer e, após a Ressurreição, comunica-a a todo aquele que se abre à sua mensagem.
O evangelista João descreve de maneira insuperável a transformação que se deu nos discípulos quando Jesus, cheio de vida, se faz presente em meio a eles. O Ressuscitado está de novo no centro de sua comunidade de seguidores; eles sentem Seu alento criador. Tudo começa de novo. Tal presença os liberta do medo e da dúvida, os faz escancarar as portas e dar inicio o processo de evangelização.
O Ressuscitado se aproxima como Presença viva que dá Vida: deixa-se ver, fala, interpela, corrige, ani-ma, comunica paz e alegria. Em uma palavra, presenteia seu Espírito.
Outra vez Jesus re-cria a comunidade que depois da Paixão estava se desintegrando; e seus discípulos experimentam novamente o chamado e o envio, a serem testemunhas e cúmplices do Espírito, porque vivem a certeza existencial de que o Crucificado é o Ressuscitado, que a morte foi vencida, que Deus é o Senhor da Vida. Impulsionados pela força do Espírito, seguirão colaborando, ao longo dos séculos, no mesmo projeto salvador que o Pai confiou a Jesus.

A Ressurreição significa, pois, o amanhecer de uma nova humanidade.
No meio da noite, apesar da tormenta, seremos estrelas que iluminam, âncoras centradas em Jesus e em seu Reino, barcas com velas soltas ao vento do Ruah, vínculos que unem, pontes que se fazem lugar de encontro, testemunhas visíveis do Deus Invisível, presenças de perdão e paz...
Portanto, o que ocorreu com Jesus deve ser sempre luz e inspiração para a “nova comunidade”, a Igreja.
Uma Igreja desafiada a escancarar portas e janelas para anunciar a grande novidade: há “sinais” de Ressur-reição perpassando todas as experiências humanas.
“A igreja é chamada a sair de si mesma e ir para as periferias, não só geográficas, mas também as periferias existenciais: as do mistério do pecado, as da dor, as da injustiça, as da ignorância  religiosa, as do pensamento, as de toda miséria.
Quando a Igreja não sai de si mesma para evangelizar torna-se autorreferencial e então adoece.
A igreja autorreferencial segura a Jesus Cristo dentro de si mesma e não o deixa sair.
Há duas igrejas: a igreja evangelizadora que sai de si; ou a igreja mundana que vive em si, de si, para si” (papa Francisco).

Ressurreição, plenitude do mistério da comunhão através dos gestos, da proximidade, do abraço...
“Estende a tua mão e coloca-a no meu lado” (Jo. 2027).
A cada abraço sentido, uma ressurreição também vivida!
Deixemo-nos alcançar pela Ressurreição de Cristo permitindo que o nosso corpo seja um corpo de res-suscitado. Então:
- nossos olhos não só ficarão fascinados por perceber Sua presença, senão que, como os Seus olhos, olha-rão a dor do povo, se converterão em lugar de encontro. Serão olhos que ao olhar reconhecem e devol-vem dignidade, perdoam, animam, levantam, amam;
- nossos ouvidos escutarão a brisa suave que descobre a presença do Mistério na cotidianidade da vida; saberão distinguir, apesar dos ruídos, os gritos de dor e os cantos de alegria do povo; saberão escutar respeitosos e atentos;
- nossa boca saberá falar e calar como linguagem de amor; denunciará com valentia; cantará a boa notícia; compartilhará com satisfação o que dá sentido à própria vida, e se fechará à maledicência;
- nossas mãos serão capazes de colaborar no nascimento da vida nova que ilumina por todos os rincões do mundo. Serão mãos que compartilham, acariciam,  curam, ajudam a demolir os muros da exclusão;
- nossos pés se converterão em samaritanos e peregrinos, companheiros de viagem que não trilham os caminhos da violência, mas abrem caminhos de paz. Serão pés dançantes, festivos, que sabem desfrutar da vida simples, do prazer compartilhado;
- nosso coração será cada dia mais amoroso, grande, sem mesquinhez, sem ressentimentos, casa aberta, misericordioso, compassivo, será um coração de carne, não de pedra;
- nossas entranhas saberão estremecer-se de dor e de prazer, não permanecerão indiferentes, serão entranhas sempre fecundas, geradoras de vida nova para as gerações futuras;
- nossa pele será lugar de contatos curadores, lugar para o encontro, nunca para a “alergia” dos outros.

A Ressurreição acontece quando alimentamos a pequena chama que ainda fumega nos corações desani-mados, mas esperançosos; quando acreditamos no ser humano e em suas possibilidades de mudança; quando transformamos escuridão em luz, choro em dança, sofrimento em crescimento.
Vivemos a Ressurreição quando ajudamos os outros a encontrar razões para viver e lutar e alimentamos os sonhos com dias melhores, com pão na mesa de todos e com dignidade garantida.
A Ressurreição acontece nos pequenos e simples gestos de partilha, de perdão sincero e de confiança alegre. Ela está presente nos corações que mantêm viva a novidade da vida. E se dá na capacidade de ver o mundo e as pessoas com olhar de misericórdia que reconstrói a existência fragmentada.

Texto bíblico:  Jo. 20,19-31

Na oração: * Preste atenção aos sinais de vida ao seu redor: gestos simples, iniciati-
                          vas de pessoas e comunidades, posturas éticas e coerentes na política e na Igreja, solidariedade, perdão, acolhimento, voluntariado, cuidado de pessoas e do meio ambiente, etc...
* Faça, diariamente, uma “leitura orante” dos acontecimentos  da vida. Quê mensa-
  gem de Ressurreição você encontra neles? Quê apelos você reconhece nessas ex-
  periências?